A Caoa Changan prepara uma ofensiva de eletrificação no Brasil que vai muito além dos híbridos plug-in. A marca confirmou que pretende oferecer por aqui veículos com diferentes níveis de eletrificação, incluindo HEV, PHEV, BEV e REEV.

A estratégia terá como base a plataforma BlueCore Ultra-Hybrid, arquitetura desenvolvida para combinar motores a combustão e sistemas elétricos em diferentes configurações.

Um dos principais diferenciais para o mercado brasileiro será a compatibilidade com etanol, permitindo que a tecnologia seja adaptada às características do país.

O primeiro modelo dessa nova fase é o CS55, SUV médio que já utiliza a plataforma e chega como o primeiro veículo PHEV flex da Caoa Changan no mundo.

Caoa Changan CS55 PHEV flex em movimento no Brasil.
Imagem: divulgação/Caoa Changan

BlueCore Ultra-Hybrid será a base da eletrificação

A estratégia da Caoa Changan será sustentada pela plataforma BlueCore Ultra-Hybrid, que reúne o motor a combustão BlueCore e o sistema híbrido Ultra-Hybrid.

Os dois componentes fazem parte da arquitetura iDE-H, sigla para Híbrida Inteligente com Eletrificação Profunda.

A proposta é permitir que uma mesma base tecnológica seja adaptada para diferentes tipos de veículos eletrificados.

Na prática, isso significa que a marca poderá utilizar a arquitetura em:

  • HEV: híbridos convencionais;
  • PHEV: híbridos plug-in;
  • REEV: veículos elétricos com extensor de autonomia;
  • BEV: veículos totalmente elétricos.

Segundo a Caoa Changan, a plataforma já é utilizada na China e acumulou mais de 2,2 milhões de veículos produzidos e vendidos globalmente desde seu lançamento.

A estratégia também permite que a empresa utilize diferentes níveis de eletrificação conforme o segmento e a demanda do mercado brasileiro.

Isso é importante porque o consumidor não necessariamente busca o mesmo tipo de eletrificação em todos os segmentos. Enquanto alguns modelos podem priorizar eficiência e autonomia, outros podem apostar em maior desempenho ou condução exclusivamente elétrica.

Plataforma foi adaptada para o Brasil

Um dos pontos mais relevantes da estratégia é a adaptação da tecnologia ao mercado brasileiro.

A compatibilidade com etanol permite que os futuros veículos híbridos da marca utilizem uma característica bastante particular do mercado nacional.

Essa adaptação pode ser especialmente importante nos modelos HEV e PHEV, nos quais o motor a combustão continua fazendo parte do conjunto.

No caso dos modelos REEV, a utilização do motor a combustão como gerador também abre espaço para diferentes estratégias de funcionamento.

Já nos futuros BEVs, a arquitetura poderá sustentar veículos sem motor a combustão, utilizando exclusivamente bateria e propulsão elétrica.

Essa flexibilidade coloca a BlueCore Ultra-Hybrid como uma plataforma que pode acompanhar diferentes etapas da eletrificação no mercado brasileiro.

CS55 é o primeiro PHEV flex da Caoa Changan

O CS55 é o primeiro modelo a utilizar essa estratégia no Brasil.

O SUV médio combina um motor 1.5 turbo TGDI flex com um propulsor elétrico de alta capacidade.

O conjunto entrega 286 cv de potência e 47 kgfm de torque, com transmissão automática DHT, desenvolvida especificamente para sistemas híbridos.

A bateria tem 18,4 kWh de capacidade e pode receber até 6,6 kW de potência em recargas de corrente alternada (AC).

Segundo os dados divulgados pela fabricante, o CS55 acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos.

O consumo urbano informado chega a 42,2 km/l, enquanto a autonomia total pode alcançar 1.200 km.

É importante observar que números oficiais de consumo e autonomia podem variar de acordo com condições de uso, velocidade, temperatura, carga do veículo e estilo de condução.

Caoa Changan CS55 tem consumo urbano de 42,2 km/l e 1.200 km de autonomia
Imagem: Divulgação/Caoa Changan

Três modos de funcionamento

O sistema híbrido do CS55 pode trabalhar em diferentes estratégias para aproveitar a energia disponível.

Modo Elétrico

Nesse modo, o veículo utiliza a energia armazenada na bateria para movimentar o carro.

Segundo a fabricante, o modo elétrico pode funcionar entre 0 e 70 km/h, permitindo que o SUV seja utilizado sem acionar o motor a combustão em determinadas situações.

Para deslocamentos urbanos, essa configuração pode reduzir o consumo de combustível e permitir uma condução predominantemente elétrica.

Modo Híbrido

No modo híbrido, os motores elétrico e a combustão trabalham de forma integrada.

A eletrônica do veículo administra a participação de cada sistema de acordo com as condições de condução.

O objetivo é combinar desempenho, eficiência e autonomia.

Modo Autonomia Estendida

Existe ainda uma terceira estratégia.

No modo de Autonomia Estendida, o motor 1.5 pode atuar como gerador para alimentar a bateria de alta tensão durante o trajeto.

Essa configuração aproxima o funcionamento do modelo do conceito de REEV, embora o CS55 seja classificado como um híbrido plug-in.

A combinação dos diferentes modos permite que o SUV alterne entre condução elétrica, operação híbrida e geração de energia conforme a situação.

CS55 será produzido em Anápolis

A expansão da Caoa Changan também terá participação da operação industrial da empresa em Goiás.

O CS55 será montado na fábrica da Caoa em Anápolis (GO), unidade que já produz outros modelos da empresa em regime CKD.

Atualmente, a fábrica também está envolvida na produção de modelos da Caoa Chery, como Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8.

A produção nacional é um ponto estratégico para a expansão da marca no país, principalmente diante da intenção de ampliar o portfólio nos próximos anos.

Além do impacto industrial, fabricar localmente também pode facilitar a adaptação dos veículos às características do mercado brasileiro e permitir uma estratégia mais ampla para diferentes segmentos.

Caoa Changan CS55 com painel digital e central multimídia conjugados
Imagem: divulgação/Caoa Changan

O que esperar dos próximos Changan eletrificados?

A estratégia anunciada pela Caoa Changan indica que o CS55 será apenas o início de uma ofensiva mais ampla.

A possibilidade de utilizar a mesma família tecnológica em HEVs, PHEVs, REEVs e BEVs permite que a marca trabalhe com diferentes propostas de eletrificação.

Na prática, isso significa que o consumidor brasileiro poderá encontrar desde híbridos convencionais, voltados para eficiência e facilidade de uso, até modelos totalmente elétricos e veículos com extensor de autonomia.

A compatibilidade com etanol também cria uma característica específica para o mercado brasileiro.

Em vez de simplesmente importar tecnologias desenvolvidas para outros mercados, a Caoa Changan pretende adaptar parte de sua estratégia às condições locais.

Uma plataforma, diferentes caminhos para a eletrificação

A estratégia da Caoa Changan mostra como o mercado brasileiro está deixando de tratar a eletrificação como uma única categoria.

HEV, PHEV, REEV e BEV atendem a perfis diferentes e podem coexistir dentro de um mesmo portfólio.

O CS55 representa o primeiro passo dessa estratégia no país, combinando motor turbo flex, propulsão elétrica, bateria recarregável e diferentes modos de funcionamento.

Com produção em Anápolis e uma plataforma preparada para diferentes configurações, a Caoa Changan passa a disputar espaço em um mercado brasileiro que está ampliando rapidamente a oferta de veículos eletrificados.

ItemCS55 PHEV
Motorização1.5 turbo TGDI flex + elétrico
Potência286 cv
Torque47 kgfm
Bateria18,4 kWh
Recarga ACAté 6,6 kW
CâmbioAutomático DHT
0 a 100 km/h7,2 segundos
Consumo urbano divulgadoAté 42,2 km/l
Autonomia total divulgadaAté 1.200 km
ProduçãoAnápolis (GO)